É interessante como o ângulo interfere nas interpretações: em terra firme quando vejo as nuvens procuro por formas e desenhos; vistas de cima, dentro do avião, as mesmas parecem tapetes de algodão; e na estrada, à distância, a neblina – forma mais etérea de nuvem – me sugere o recheio de um sonho.
12 de julho de 2011
26 de junho de 2011
Novos horizontes
Descobrir novos horizontes, viver novas experiências.
Olhar pela janela do ônibus e ver em vez de prédios um vasto campo. Em plano reto e nítido três camadas: a terra com a grama queimada do frio, a névoa densa parecendo uma grande camada de algodão e no céu azul o sol nascente, majestoso em sua rubra coloração.
O que é sempre tão simples, com tantas roupas para se proteger da friagem, parece se complicar. O vento ardente ferindo o rosto e o casaco pesado impedindo o mesmo o peito golpear.
O café com pouco leite apelidado de pingado e o contrário é chamado de cortado, e pouco a pouco o dialeto vai sendo assimilado.
“Bem capaz” viver aqui e não me apaixonar. Viver em constante dejavú e sentir assim estar de volta ao meu lar.
28 de maio de 2011
Para um amigo que lamentou dormir em sua folga
Para quê a pressa?
Ela só vai te deixar estressado, angustiado...
Para quê as noites em claro para o trabalho e obrigações fatídicas?
Se não deu tempo, não deu!
Mas não castigue seu corpo e mente por isso!
Tente percebê-los, entendê-los e respeitá-los!
De que vale seu sacrifício?
Pose? Aparências? Bobagens!
O mundo vai continuar o mesmo.
Ah, claro, é que de brinde vem as olheiras,
as dores no corpo, e a eterna sensação de cansaço!
Só pra dizer que nunca perde tempo,
E que é um ser esforçado e exemplar.
Pois bem, se é essa a razão do seu sacrifício,
permita-me aplaudi-lo(Clap! clap! Clap!),
só para não te deixar frustrado.
Hoje ganhou mais que elogios hipócritas, hein?!
Poxa, caro amigo! Ainda com pressa?
Calma, calma. Acho que já estou acabando...
Mas é que a vida é essa.
É andar por aí e se dar conta de onde os pés estão pisando.
Passar pelas árvores e descobrir o que os pássaros estão cantando.
É sentar para comer e saborear o que se come.
É rir, é cantar, cantarolar, papear.
E chorar de vez em quando também!
Tudo isso e muito mais, caro amigo...
Sem hora marcada, nem cara amarrada!
E ao final do dia, dê aquilo que é de direito do seu corpo e mente:
Deite-se e durma!
Dormir não é nenhum pecado,
e sonhar é sublime!
[25/05/11]
23 de abril de 2011
Sanidade
E uma legião de vivas!
Viva!
À borboleta colorida que enfeita e alegra a orelha da menina.
Ao vento cantando natural nos tímpanos.
À firmeza do chão sob os pés confortáveis.
À calmaria do céu anil, passarela de nuvens preguiçosas.
À casa da tia antiga, cheia de móveis antigos, todos no mesmo lugar.
Viva!
À dona Maria de Jesus que relembra e conta da sua vida no interior de Minas.
Ao bebê que gargalha sincero com a gracinha boba da tia coruja.
Ao sol no horizonte, que todo galante, abre alas pra lua.
Ao mais puro e delicioso copo d’água.
E ao perceber-se enquanto corpo e todos os seus limites com o universo.
Viva!
Viva!
À borboleta colorida que enfeita e alegra a orelha da menina.
Ao vento cantando natural nos tímpanos.
À firmeza do chão sob os pés confortáveis.
À calmaria do céu anil, passarela de nuvens preguiçosas.
À casa da tia antiga, cheia de móveis antigos, todos no mesmo lugar.
Viva!
À dona Maria de Jesus que relembra e conta da sua vida no interior de Minas.
Ao bebê que gargalha sincero com a gracinha boba da tia coruja.
Ao sol no horizonte, que todo galante, abre alas pra lua.
Ao mais puro e delicioso copo d’água.
E ao perceber-se enquanto corpo e todos os seus limites com o universo.
Viva!
16 de março de 2011
Estado
Estou assim,
Sendo algo inominável,
O meu não ser,
O meu eu imaterial.
Estou assim,
Presente em tempo nenhum,
Vagando em nenhum espaço,
Numa variável sem x nem y.
Estou assim,
As vezes dentro, as vezes fora de mim.
Dinâmica no nada,
Sem começo e sem fim.
Sendo algo inominável,
O meu não ser,
O meu eu imaterial.
Estou assim,
Presente em tempo nenhum,
Vagando em nenhum espaço,
Numa variável sem x nem y.
Estou assim,
As vezes dentro, as vezes fora de mim.
Dinâmica no nada,
Sem começo e sem fim.
25 de fevereiro de 2011
Rima de um outro verão: a tarde

O sublime e desconcertante acaba de me ocorrer.
Fui tomada de uma estranha paz e lucidez.
A luz me cercou delicadamente
E fisgou o foco dos meus olhos.
Todas as bem intencionadas canções de cuidado,
Invadiram-me de uma só vez os ouvidos.
O que tristemente não tem feito sentido,
Tornou-se de repente uma simples resposta.
E mesmo compreendendo o tal raro instante
Não veio a dor, nem lágrimas;
Nem lamentação, nem sequer tentativas.
Apenas saudade do suposto acaso
Na rima de um outro verão:
A tarde.
7 de fevereiro de 2011
Pensamento

Começo não sei por onde
Continuo em meio a algum lugar
Termino onde jamais estive outrora
Que loucura é viajar pelo pensamento
Uma infinidade de insanidade
Um vulto de obscuridade
Puramente lírica, a incrível arte do ilusionismo
Em sfumato a cena revela-se enigmática
Névoa e poesia tornam-se factíveis
E como uma apreciação, é encerrada
Na inevitabilidade da eventualidade.
11 de janeiro de 2011
A dança
Aqui o vento realmente tem vida.
Se assume como um corpo gigante,
Embora dissolvido.
Transpassa a física de tudo,
Inclusive dos meus cabelos ondulados
E avermelhados do sol.
E no transpassar das árvores,
Do rio, das nuvens, dos meus cabelos
E até do meu vestido florido e alvinho,
Tudo vira uma dança.
A mais complexa e simples coreografia.
Onde tudo se move em um ritmo
Desinteressado e espontâneo.
O ritmo da vida.
21 de dezembro de 2010
Rotina

Ver o mundo passar
De costas para o destino que o trem ruma.
As pessoas com seus olhares vazios e indiferentes.
Vagam em seus universos particulares.
Os trilhos serpenteando sob um sol ardido,
Cortam as velhas fábricas do Brás.
As paredes e vidraças antigas
Me fazem recordar algo que não vivi:
Operários, homens do labor,
Com suor frente a face,
Em movimentos contínuos e fatigantes.
Anseiam a mísera folga,
E um possível jantar com a família.
Nos ombros levam a exaustão,
Mas o dia do pagamento compensa tudo.
Olho novamente os rostos do meu vagão,
Marcados com linhas de expressão mal humoradas.
Seus corpos desabados nos bancos de plástico,
Revestidos de propaganda: roupas, sapatos e bolsas.
Descansam 30 minutos das 6,8 ou 12 horas cumpridas.
Seus pensamentos pendendo no máximo em dois pólos,
Família e comprar.
Doenças e comprar.
Eu e comprar.
Estão muito bem acomodados,
Nos bancos de suas vidas.
Vendo o mundo acontecer,
No frenesi do botão automático,
De costas para o destino,
Que poderiam um dia mudar.
13 de novembro de 2010
As flores

As flores já não são, meu querido.
Não são perfume...
Não são cromia...
Nem boa textura.
Não são mais flores.
Não fisicamente, não mais.
São pó, são o marrom, o preto
E o musgo desbotado.
Mas ainda assim meu querido,
Mesmo com a transformação física e química,
São o frescor daquele anoitecer,
E a delicadeza do arranjo improvisado.
São meu coração emocionado,
E seus olhos tomados de singela expectativa.
São suas mãos as segurando,
Me entregando junto a sinceridade.
São ainda meu querido
O beijo suave que camuflou o meu fervor.
São minhas mais belas flores.
Assinar:
Postagens (Atom)

